sábado, 8 de junho de 2013

CONTRIBUIÇÃO DO CURSO: INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DIGITAL

Quais os aspectos positivos e negativos do uso do computador pelos alunos?
O curso acima está me ajudando a refletir, por isso quero compartilhar parte dele com vocês. Espero ajudar a todos.

No dia a dia em sala de aula, são diversas as formas utilizadas para expressar saberes. Mas, certamente a base principal do nosso sistema de ensino é a leitura e, na sua recíproca, a escrita. A cultura de escola é uma cultura letrada, com pouca ou nenhuma presença de outras formas de textualidade; o letramento está presente na maioria dos materiais didáticos, como livros, apostilas, textos de jornais e revistas. A apresentação de trabalhos dos estudantes também é frequentemente solicitada de forma escrita; poucas são as solicitações de produções que privilegiem o oral, o imagético etc.
    Como já mencionamos, o nosso sistema de ensino, que é baseado predominantemente na leitura e na escrita, acaba se tornando menos atrativo em relação às múltiplas mídias disponíveis na rede. Essas mídias propiciam novas e ricas formas de interação que podem levar o aluno a apresentar mais interesse em aprender. Diante dessa constatação, Belintane (2006) nos convida a analisar a relação entre a produção de um texto e o ensino da escrita partindo dos novos suportes, como os editores de texto.

    Segundo Belintane (2006), o processo de escrita exige o domínio do processo de codificação simbólica e ainda o domínio de um conjunto de técnicas e estratégias específicos do suporte que se está usando (lembremo-nos dos exercícios de caligrafia e de coordenação motora que se costuma fazer com as crianças durante o processo de alfabetização). O autor lembra-nos de que há uma tensão forte na passagem da oralidade para a escrita. Nós, os letrados, estamos tão envolvidos pelo processo de letramento que temos grandes dificuldades em nos expressar naquelas modalidades de textualidade que são mais orais (narrativas, cânticos, poemas etc.). Em geral, os repentistas são oriundos das culturas iletradas. Essa tensão entre oralidade e escrita, pelo modo como tem sido (sub)entendida e tratada, acabou resultando na perda de parte da riqueza da oralidade, para os letrados e na exclusão social dos iletrados.

A letra dos nossos jovens já não é mais a mesma, não é? Outro aspecto que está bastante forte em todas as instituições educacionais é o fenômeno da disseminação do plágio (o famoso Control+C, Control+V) – a facilidade de copiar e colar texto de um local para outro, sem precisar nem mesmo o esforço da digitação. Antes do computador, os alunos também copiavam textos, mas, como faziam manualmente, eram obrigados a pelo menos ler aquilo que estavam copiando no ritmo lento daquela forma de escrita. O tempo ao qual estavam presos nessa atividade poderia acabar levando-os, até involuntariamente, a alguma reflexão sobre o assunto. Atualmente, o fenômeno da cópia está muito sério, até em trabalhos acadêmicos importantes o problema já é comum.

    Este problema pode ser minimizado com o cuidado e a atenção do professor. Afinal, um professor que conhece o nível de desenvolvimento linguístico dos seus alunos consegue perceber quando não foi ele que escreveu algo. E, em caso de dúvida, sempre podemos recorrer às pesquisas na Internet, porque em geral as cópias são feitas de documentos que estão na Internet. Mais adiante, nesta unidade, retomaremos esta questão.
    Além dessas perdas, teríamos outras? Haveria, por exemplo, perda de alguma habilidade de raciocínio presente na escrita manual na passagem para a digital? Nesse sentido, Vasconcellos (2002) salienta a complexidade de elaboração do pensamento relativa às diferentes formas de expressão, em que a exposição por meio da linguagem escrita exige maior nível de abstração e síntese do que quando falamos. Fica mais fácil produzir um texto depois que conversamos com alguém e trocamos ideias a respeito do que queremos dizer, não é mesmo? A produção digital muda bastante o processo de construção do texto. O nível de abstração atingido seria o mesmo no processo de redação manual e digital?
    A possibilidade de recriação no processo de escrita com o uso deste tipo de ferramenta é visível pela facilidade de alteração de um documento. Ao escrever, o usuário pode selecionar trechos e realizar edições como mover, apagar, substituir palavras etc. A estruturação de um texto, com o uso da tecnologia, ganha enorme agilidade, visto que permite eliminar as operações que correriam no suporte do papel, como rasuras, “passar a limpo” etc. A eliminação dessas atividades morosas possibilitam ao estudante dedicar seu tempo inteiramente à autoria do material, potencializando produções mais elaboradas.
    Ou seria o contrário, a redação manual exige um processo de preparação e planejamento um pouco mais elaborado, levando, assim, o sujeito a atingir níveis de abstração maiores. São hipóteses plausíveis. Qual a verdadeira? Cremos que, com muita atenção e cuidado, os professores – na medida em que forem experimentando e buscando melhor compreender as potencialidades e limitações de uma forma ou da outra – aos poucos encontrarão respostas. Talvez ambas as hipóteses sejam verdadeiras em diferentes momentos ou contextos, mas antes de fazermos julgamentos de valor, é preciso que experimentemos essas distintas formas de escrita, com o foco também no desenvolvimento dos alunos.

Professora Ângela

2 comentários:

Cristina Chabes disse...

Olá Angela adorei saber um pouco mais sobre o curso. Ótima postagem.
Beijocas
Pro Cris

Silvia RC disse...

Legal Angela!